terça-feira, 16 de outubro de 2018

AS ESTRELAS


“Assim me encontrava uma noite
Contemplando as estrelas,
Que me parecem mais belas
Quanto mais se é desgraçado
E que Deus as tenha criado
Para consolar-se nelas”.

José HERNÁNDEZ (1834-1886). Martín Fierro, I, IX, 1445-1450.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

O FIM DA EDUCAÇÃO CRISTÃ É A PERFEIÇÃO MORAL


"À luz do realismo integral do Cristianismo, a educação é a formação total da personalidade do educando. A educação é processo vital resultante de fatores externos e internos, de forças naturais e espirituais, da ação consciente do educador e da vontade livre do educando. A educação não se confunde com o simples desenvolvimento ou com a mera adaptação. Não se resume numa preparação utilitária para fins exclusivos ou numa formação de aspectos parciais da personalidade, através do desabrochamento integral das suas virtualidades físicas, intelectuais e morais. A educação cristã procura desenvolver no homem toda a perfectibilidade de que ele é capaz no sentido de prepará-lo para a ordem da natureza e para a ordem da graça, para a vida natural e para a vida sobrenatural. Para isso, é necessário que a formação física do educando se subordine à formação intelectual e está à formação moral. Pois o fim supremo da educação cristã é a perfeição moral simbolizada pela personalidade viva de Jesus Cristo."
***** 
THEOBALDO Miranda Santos. Noções de filosofia da educação, 9ª edição, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1962, p. 56.


sábado, 6 de outubro de 2018

DA NECESSIDADE DE NOVAS ESCOLAS CATÓLICAS


“Não hesiteis, não desanimeis; para defender a alma das crianças, para manter a religião na sociedade, continuai a sustentar escolas, fundando novas, quanto puderdes. Empregai nisso o vosso dinheiro, e, se não tiverdes outro lugar, ou vos faltar liberdade, abri escolas em vossas casas, como nós o fizemos no Vaticano".

São Pio X, citação extraída do Jornal "A Cruz", n.10, de 9 de março de 1913, p. 2.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A CAVALARIA NÃO MORRE


“Contam-nos que as cruzadas foram oito em número. Sim, é certo que oito estão terminadas. Mas a nona começa logo após e continua... E continua não nos campos de batalha, e os cavaleiros de França não lutam mais com armas de aço, senão pela palavra e pela pena, pelo sacrifício, pela oração e pelo exemplo. Quando um homem toma a si o cuidado de nossas almas, se esforça por dar-lhes mais pureza, mais fortidão, maior amor a Deus, maior caridade para com o próximo, mais fidelidade ao dever, esse homem é um cavaleiro.
(...)
Fazem parte dessa cavalaria aqueles que, na paróquia, nem a pobreza, nem os remoques, nem a ameaça podem arredar de suas práticas religiosas, e bem assim aqueles que repelem uma injúria dirigida a Nosso Senhor Jesus Cristo".
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René BAZIN (1853 – 1932). La douce France.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O GENUÍNO CARÁTER DA FAMÍLIA


É bem deplorável fato, e cheio de funestíssimas consequências para o futuro, o esforço que se está fazendo para destruir as verdadeiras tradições, o genuíno caráter da família, o princípio mesmo de sua organização e estabilidade, pondo-a fora da ação da Igreja e do Cristianismo. Privada do influxo sobrenatural da Religião, a família tende a deperecer; afrouxam-se os laços que a enfeixam num todo harmônico.
Aquela casta, inviolável e perpétua união dos esposos; aquele cuidado estremecido da educação da prole; aquele corresponderem os filhos à ternura de seus progenitores rodeando-os de afetos extremosos, prestando-lhes os mais atentos serviços, obedecendo-lhes com amorosa prontidão, e honrando-os até a extrema velhice com um respeito religioso, que parece transformar-se em culto; aquela amável convivência dos irmãos a respirar encanto que embalsamam a melhor quadra da vida, e que nos lembramos ainda com tantas saudades, quando já sozinhos, nos aproximamos do termo; aquela dedicação e singelos afetos de servos e domésticos; enfim aquele suavíssimo viver em família, aquela vida de casa tão boa, tão serena, sem sobressaltos, e cheia de tão sublime e terna poesia; onde estão? onde se encontram já? A torrente das ideias novas vai tudo levando de rojo, envolvendo no sumidouro comum do sensualismo enervante, do brutal egoísmo. Restam apenas, aqui e aí alguns nobres tipos da família cristã; como essas colunas, que se elevam ainda no meio da vasta solidão só para dar testemunho de um magnífico edifício arruinado.
A raiz corrompida, vasa no tronco e nos ramos da árvore o seu fatal veneno. Por igual modo, da família pervertida pelo espírito da impiedade moderna, estão dimanando os males que lamentamos em todas as esferas sociais.
Se queremos que floresçam os bons costumes, se queremos que esta árvore da pátria dê frutos, não pêcos, mas sazonados, de paz, de ordem, de verdadeira liberdade, de sólidos progressos, de próspera, gloriosa e fecunda civilização, é acudir com o remédio à fonte do mal, é tratar já e já da raiz, que se embeba em bons sucos, achegando-se-lhe terra congruentemente adubada.
Todas as outras reformas são ilusórias, se não começamos pela família.
O esforço que está fazendo a Revolução para destruí-la está dando à medida do esforço que devemos fazer para restaurá-la. 
Arejemos o lar. 
Façamos entrar nele as puras emanações do Cristianismo.
Deus tem ali o seu lugar. Ele só pode fazer ali reinar as alegrias puras, a suave resignação, o casto pudor e todas as virtudes que enobrecem e encantam a vida.
Procuremos restaurar sobre suas verdadeiras bases a família cristã, como nô-lo recomenda com tão alta sabedoria o Vigário de Jesus Cristo, o glorioso Pontífice Leão XIII em suas primeiras Encíclicas, recebidas com veneração e aplauso por toda a cristandade.
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Dom Antônio de Macedo Costa (1830-1891). O Livro da família: ou explicação dos deveres domésticos segundo as normas da razão e do Cristianismo. 3ª ed., São Paulo: Paulinas, 1945, pp. 2-4.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

SANTA TERESINHA ENSINA-NOS A GRANDEZA DO COTIDIANO


“Uma criança cresce no meio dos seus brinquedos, entre bonecas e bugigangas. É uma criança gentil, porém, como todas as outras, coração cheio de felicidade comunicativa. Desde cedo tem uma vontade constante de repartir essa felicidade com os outros. Seu coração se enaltece com os sacrifícios, se enriquece de virtudes heroicas. Porque? Não há resposta, senão esta: porque Deus é bom, porque o homem tem uma finalidade elevada e porque cada dia é um novo prodígio de luz e de misericórdia.
O poeta brasileiro compreendeu esse segredo divino. Transmitindo a sua alegria à nossa alma, sua voz jubilosa nos dá uma profunda prova da universalidade da comunhão no êxtase, que é a comunhão dos santos. Lutas, sofrimentos e vitória da Igreja, que é isso senão a felicidade em preparo, a posse de amanhã?
Uma criança achou o máximo dessa felicidade, o máximo que é dado a uma criatura humana alcançar neste mundo, uma criança fraca e tuberculosa, sem êxtases extraordinários, sem vícios nem excepcionais penitencias. Ela conseguiu descobrir o segredo do sublime cotidiano.
Nada de glórias, de honras ou de genialidade; Santa Teresinha procurava só a felicidade das obrigações simples, dos sacrifícios simples, do espirito de infância.
Santa Teresinha ensina-nos a grandeza do cotidiano”.
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Trecho do artigo do poeta católico holandês ANTON VAN DUINKERKEN, publicado em 8 de janeiro de 1938, a propósito do aparecimento da tradução francesa do ensaio do diplomata e grande poeta RIBEIRO COUTO (12.03.1898 — 30.05.1963) sobre SANTA TERESINHA.


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A ADMIRÁVEL PEDAGOGIA DA LITURGIA

Toda a Liturgia bem entendida é admirável Pedagogia.
Desde o ambiente dos templos "admiravelmente educativos na linguagem da liturgia e da arte", até as menores cerimônias do culto, tudo, através dos sentidos, atinge a inteligência, conforta a vontade, move à prática das virtudes individuais e sociais, figuradas e simbolizadas de maneira tão sugestiva no aparato luminoso dos sagrados ritos.
Oxalá fosse mais conhecida a Liturgia Católica, e obedecidas suas sugestões tão plenas de sentido! As torres das igrejas a apontar a finalidade última, e as naves a recordar os perigos da travessia, os altares simbolizando Cristo, o modelo supremo; a pureza das ceras, a brancura dos linhos, o vário dos ornatos, o perfume do incenso, - evocando e estimulando as virtudes cristãs; a união com Jesus e entre os cristãos - lembradas em tantos ritos, máxime na oblação do Sacrifício e no ósculo da paz; a humildade, a obediência, a pureza, o amor de Deus, o esquecimento das coisas da terra, - tudo encontramos compendiado na Liturgia Católica, somado ainda a todos os ensinos dogmáticos, cuja lição nela também aprendemos, com doçura e com proveito.
A Liturgia é a Pedagogia ativa, que ensina com a apresentação intuitiva das verdades de crer e dos princípios de agir. "Se os cristãos se compenetrassem bem do espirito das festas (litúrgicas) não ignorariam nada do que devem saber, porquanto encontrariam nessas festas todos os bons ensinamentos e, ao mesmo tempo, todos os bons exemplos". (1)

1) Bossuet, citado por D. Bauduin, Vida Litúrgica, p. 52. Cfr. FIad, L"éducation par  la liturgie.
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ALVES DE SIQUEIRA, Antonio (Cônego). Filosofia da Educação, Petrópolis: Vozes, 1948, p. 75.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A ESSÊNCIA DA EDUCAÇÃO E O AMOR MATERNAL


“A essência da educação encontra-se no desenvolvimento da pessoa até que esta alcance a personalidade plena. A personalidade, com todo o cortejo de suas virtudes, encontra-se, por sua vez, escondida no espirito da criança. A chave de ouro que abre a porta para sua libertação é precisamente o amor familiar e particularmente o amor maternal, a mais alta participação do amor criador de Deus”.

ANGEL GONZÁLEZ ALVAREZ. Citado por Maria Carmen LLÓRENTE em “El principio de subsidiriedad y la educación”, p. 985.


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

UM POEMA DE RIBEIRO COUTO


Queixa da moça arrependida
Ribeiro Couto (1898-1963)*

A São Francisco de Assis
Fui pedir perdão na igreja
Por ter matado os ratinhos.

Meus brocados do Oriente!
Meus panos de seda antiga!
Tudo roíam, roíam...

Só São Francisco de Assis,
Que de bichinhos e panos
Desde menino entendia,
Só São Francisco de Assis
Me perdoar poderia.

Chegando ao altar do santo,
nem bem me ajoelhara, vi
Que um rato os pés lhe roía.
O santo olhava e sorria.


*Poema publicado no Diário de Notícias (RJ), edição 7787 de 14 de março de 1948.







segunda-feira, 3 de setembro de 2018

VELHA CHÁCARA


 MANUEL BANDEIRA
Especial para "A Ordem"*

A casa era por aqui...

Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

— Mas o menino ainda existe. 


 Rio, 13.04.1944

*****
*Publicado na revista A Ordem, n. 8, de agosto de 1944.