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sábado, 9 de março de 2019

PUREZA INTERIOR


A pureza de alma das crianças deve ser cuidada pela mãe com especialíssima dedicação, porque a pureza e a delicadeza interior são pressupostos do verdadeiro carácter. A pureza da alma infantil é como o cristal e basta um só hálito para a embaciar. A mãe nunca pensa que o filho é ainda muito novo e que ainda não compreende. Por isso põe especial atenção nos jogos das crianças, e procura evitar os excitantes da sensibilidade do filho e tudo quanto possa fazê-lo mole e sonhador. Certas bebidas ou comidas, a solidão, o excessivo comodismo nas posições, etc., são prejudiciais. Na mesma ordem de ideias, é preciso pôr em relevo, com insistência, esse fato do problema habitacional, que obriga a deitar as crianças na mesma cama. Deve ser evitado sempre que for possível.
Os pedagogos constataram o facto de que sessenta por cento das crianças atravessaram, dos três para os seis anos de idade, uma grave crise moral. Pode acontecer que nesses anos da infância estejam a faltar, à sua maneira, contra o sexto mandamento sem que os pais tenham a menor suspeita. O abraçar e beijar demasiado as crianças nem sempre é conveniente e um bocado de aspereza não faz mal nenhum. Oxalá todas as mães tenham o dom de educar os seus filhos na mais rigorosa moralidade e na mais delicada pureza!

Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, 2ª ed., Lisboa: Aster, pp.208-209.


sábado, 3 de novembro de 2018

A ORAÇÃO


O mais importante é a oração: eis que chega o tempo de orar e de agradecer.
Certa mãe que pressentiu a chegada de um novo ser disse-me que deveria rezar por ele, para que todos os latejos do seu coração pertencessem ao filho. Fiquei surpreendido e a pensar nas razões por que toda a mãe deve rezar pelo bem do seu filho nesta vida e no reino da graça. Talvez porque todo o universo esteja compreendido na oração da mãe que reza.
Donna Música, depois da batalha de Monte Branco que o marido venceu, ajoelhou-se na igreja de São Nicolau, pensando no filho que trazia no seio e rezou:
“Ó meu Deus, que bem se está neste lugar e que
alegria estar aqui convosco! Em parte nenhuma se
poderia estar melhor.
“Não é preciso dizer nada. Basta trazer-vos o meu
rude ser e ficar em silêncio aos vossos pés.
“O segredo que se oculta no meu coração, só Vós
o conheceis. Só Vós compreendeis o que é dar a vida.
Só Vós partilhais comigo deste segredo da minha
maternidade:
“Uma alma que faz outra, um corpo que alimenta
outro corpo, em si mesmo, da sua substância.
“O meu filho está em mim e ambos estamos unidos
a Vós.
“E juntos rezamos por este pobre povo desorientado,
ferido e despedaçado que· me rodeia para que se
deixe curar e compreenda os conselhos do inverno, da
neve e da noite.
“Coisas que noutros tempos eu não teria compreendido,
antes de ter em mim este filho, quando a
minha alegria estava fora de mim”.
Que a cólera, o medo, a dor e a vingança,
abram caminho às mãos carinhosas da neve e da
[noite.
(Paul Claudel)
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Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, 2ª ed., Lisboa: Aster, pp. 95-96.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O PAI É A COLUNA QUE SUSTENTA O EDIFÍCIO FAMILIAR

"A noite de Natal é um símbolo do amor paterno.
As crianças estão à roda da árvore e tudo é alegria buliçosa e beleza cintilante. O fulgor da árvore ilumina também a mãe e fá-la aparecer mais encantadora.
O pai, porém, está na sombra. Chegou em primeiro lugar e deve ir-se embora imediatamente.
Beija-se a mão da mãe, mas mal se repara no grande amor do pai, apesar de ter sido ele quem trouxe a árvore, os enfeites e os presentes. Este é o destino do pai ao longo da vida ....
No entanto, não se deve pensar que, por este motivo, fiquem os pais amargurados ou ciumentos.
Sabem muito bem que o Criador lhes designou uma função diversa da que tem a mãe, e que uma grande verdade se esconde no ditado húngaro: “Dos quatro cantos da casa, três pertencem à mãe e só o quarto é do pai”.
Este livro não pretende de modo nenhum diminuir a dignidade do pai. Sabemos que a mão firme do pai é indispensável na educação dos filhos, mas a sua vida é outra. A sua figura ilumina-se na sua desinteressada dedicação; traz o jugo do trabalho diário e pela sua fronte corre o suor. As suas mãos calosas e as rugas da sua fronte cantam uma canção que não é tão delicada como a canção da mãe mas é de todo necessária. O pai é a coluna que sustenta o edifício familiar, a sua força, o seu construtor, além de ser o seu defensor e o seu paladino.
Para os filhos, é o protótipo do homem, com um não sei quê de seriedade e de majestade. Se quiséssemos diminuir a dignidade paterna, teríamos de fazer calar os grandes testemunhos da história - o próprio poeta Horácio confessava dever tudo a seu pai.
A mãe é a primeira que presta homenagem ao pai, que conta aos filhos o muito que por eles trabalha e se afadiga, lançando deste modo os fundamentos desse respeito de que a família precisa para subsistir".
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Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, 2ª ed., Lisboa: Aster, pp. 62-63.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A FAMÍLIA REPRESENTA A MAIOR RIQUEZA DO MUNDO

"Nem sequer os próprios membros da família suspeitam que nesse círculo, tão pequeno e frequentemente tão despretencioso, se encerra a felicidade e a paz e que nele se encontra a raiz da nação, do Estado e de toda a humanidade. Representa por isso a maior riqueza de todo o mundo. Basta a decadência da família para que se gerem autênticas e terríveis revoluções, e quando se apaga o fogo sagrado do lar, a humanidade precipita-se nas mais profundas trevas da barbárie, ao anularem-se os mais firmes fundamentos da vida. Ainda que mudem os governos e se afundem os tronos e desapareçam as culturas, a família permanece incomovível através dos tempos. Todas as forças negativas que existiram ao longo da História encontraram a sua origem, em maior ou menor grau, na decomposição da família. Por outro lado, basta uma só família, ainda que não esteja excessivamente bem constituída, para haver uma poderosa força de unidade social. É sempre ela que defende o direito e os bons costumes e transmite a herança dos antepassados às gerações vindouras".
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Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, 2ª ed., Lisboa: Aster, pp. 43-48.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DO LEGADO DO ESPÍRITO

"Noutros tempos, todas as famílias, mesmo as mais humildes do povo, tinham o seu livro familiar em que se anotavam os nascimentos e os batizados, as bodas e falecimentos, acrescentando-se aqui e acolá observações especiais. Nas páginas desses livros manifesta-se, nobre e sólido um firme espírito familiar. Muito mais do que uma herança em quintas, campos, bosques ou dinheiro devemos apreciar o legado do espírito. Os bens dos antepassados não fazem uma família, porque depois de perdidos podem recuperar-se outra vez. Porém, se desaparecem os bens espirituais de uma família - a fidelidade, o amor, a união - desaparece a sua alma e apenas fica um corpo inerte que a morte vai conquistando para si sem que o possam ressuscitar as maiores riquezas. Não se pode descurar esse fogo sagrado que é a alma da família".
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Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, 2ª ed., Lisboa: Aster, p. 51.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A MÃE É O CORAÇÃO DA FAMÍLIA

“A mulher está pronta... a trocar a coroa de louros pela coroa de murta e a sacrificar a ciência nas aras da felicidade de mãe e de esposa... e a maternidade é a mais bela flor que pode oferecer um coração de mulher. Neste sentido, é rainha e sacerdotisa do grande mistério da vida e essa dignidade leva à veneração... a mãe é o coração da família, a rainha do reino do amor.... A mãe abre as portas do lar e da vida a um novo ser e embala-o carinhosamente nos seus braços. Mais tarde, quando os braços da mãe estiverem cansados, serão os filhos que mitigarão as suas últimas dores e fecharão silenciosamente os seus olhos”.
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Cardeal MINDSZENTY. A Mãe, Trad. Rui de Santelmo, Coleção Éfeso, Lisboa: Editorial Aster, p. 16 e seg.